quinta-feira, 26 de maio de 2011

A defesa do Bolão

Posso dizer em toda minha trajetória como rábula que a defesa do Bolão foi a causa mais apaixonada em que me meti. Confesso que sem uma causa apaixonada essa vida de homem de lei não faria o menor sentido, até porque sabia de antemão que o Bolão não me pagaria um centavo.

Fui incomodado logo cedo com a eufórica notícia de que o Bolão estava numa fria: acusação de assasinato. Putz!., pensei comigo, esse moleque aloprado só se mete em encrenca. E a verdade nua e crua era essa mesma. Não tem cabimento algum acordar às 06hoo de um sábado para tretar com pessoas que passavam pela rua, mas o Bolão fazia isso. E eu conhecia o gênio louco dele. Não satisfeito em morder os outros, mordia o próprio couro. E quando não permitia o atrevido queria briga, intimava. Vai pro diabo!.

No carro pensava como defendê-lo diante do juiz. Quais seriam as qualidades que diria?., o Bolão não tinha nenhuma. Era porco (na verdade um cachorro-porco, ou melhor, um porco-leitão), destruidor de qualquer coisa que desse pra ele. Eu mesmo, em dias de filantropia, dei a ele alguns cobertores para se proteger do frio. O guengo rasgou os cobertores, tentou, por vezes, até estuprá-los! Era, também morto de fome, e não era qualquer comida!., ração?., que nada, queria arroz, feijão, macarrão, mistura. Não ajudava em nada, alías ajudar ou atrapalhar não tinha o menor sentido moral para o bolão, o importante era participar, ou, numa linguagem mais clara: encher o saco.

Pensei: o Bolão será condenado!., eu tinha competência jurídica suficiente, mas aquele caso era foda. Tudo bem que tinha ganhado alguns casos de grande notoriedade, como aquele que envolvia o direito de um mudo em não dizer nada, ou das loiras em não entender piadas!

O Bolão será condenado a trabalhos forçados, pensei!., se bem que isso não seria nada mau, dada a sua condição de eterno vagabundo. Mas, por outro lado, a vagabundagem do Bolão era coisa de malandro, não era igual ao do Tio que rezava para que o mundo acabasse em barranco para que ele morresse encostado.

No tribunal tomei coragem, comecei dizendo que o Bolão era um filho da puta e que muitas vezes desejei matá-lo, na verdade queria partir sua cabeça, mas do ponto de vista da exegese jurídica subentende-se que ele, provavelmente, morreria.

Olhei para o Bolão e sua cara não era das melhores, aposto que pensava: "porra, chamei o cara pra me defender e, ao invés disso, tá me ferrando, isso não vai ficar assim ... blá, blá, blá."

Falei a verdade (coisa cara para advogado), desabafei!

Suas relações promíscuas com panos, as encrencas, a porquice, as mordidas etc, etc, etc.

Ademais, quantos anos aquele gato tinha? 87!!!!!., porra, esse gato estava fazendo hora-extra no pau de arara.

O juíz concordou! e concordou mais ainda quando deu o verídito.

ESSE CACHORRO É UM CHATO, MAS NÃO É UM ASSASSINO.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Lula, o Filho do Brasil e o Oscar 2011!

O filme Lula, o Filho do Brasil, vai ser o representante brasileiro no Oscar 2011.

"O filme escolhido para representar o Brasil no Oscar 2011 vai disputar com outros de mais de 95 países a chance de estar entre os cinco finalistas na categoria de melhor filme em língua estrangeira. A lista dos indicados será divulgada no dia 25 de janeiro. A cerimônia de premiação, por sua vez, acontece em 27 de fevereiro, no Kodak Theatre, em Los Angeles"

Ultimo Segundo - Portal IG

Veja o Trailer:

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Assim caminha...

Hoje dando a volta costumeira pelos blogs Conversa Afiada, Amálgama, Biscoito Fino e a Massa, Vi o Mundo etc etc e outros sites de informação. Não sei como, mas acabei lendo uma porção de “Falo na Lata”, textos mais duelistas.

O Serra interpretando mal o livro do Erico e levando uma na orelha do Fernando, hoje no estadão (leia aqui).

O Mauro Carrara desconjuntando a Soninha e o Jabor (aqui e aqui), sei sei, que o texto não é novo, mas eu ainda não havia lido.

E a melhor, por ultimo no ótimo blog Na Pratica a Teoria é Outra, vi a resposta do Celso Barros para o Azevedo, esse vocês tem que ler obrigatoriamente aqui!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Ensaio sobre uma nova teoria do dinheiro

Apenas vou deixar algumas notas que suponho sejam interessantes para uma posterior reflexão dos leitores, visto que estou em sala de aula tratando sobre assuntos pertinentes a esse contexto e muito tenho debatido comigo mesmo e depois com aqueles que aturam conversas filosóficas.

Nessas conversas a questão que julgo interessante mencionar diz respeito ao dinheiro. Pertinente, também, pelas sucessivas propagandas de máquinas de cartão, tais como a Cielo, Redecard etc., as quais mencionam o ultrapassado uso do dinheiro em espécie.

Convém abordar três classes sociais que elucidam esse ensaio: Classe A, Classe C e Classe D.

Para a Classe A o dinheiro em espécie é, sim, uma coisa ultrapassada. O que essa classe concebe como dinheiro está no plano imaterial, ou seja, não é espécie, é um número X na conta bancária. Desse número X, dessa imaterialidade, se concebe a materialidade: é esse número e não o dinheiro que irá comprar carros, casas, pagar viagens etc., a especulação financeira é feita por essa classe. A Classe C, na maioria das vezes, trabalha apenas com a materialidade, ou seja, é o dinheiro em espécie que pagará o produto adquirido. O material adquire o material. Nota-se, porém, um avesso na Classe D, a qual transforma a materialidade em imaterialidade, contudo, essa imaterialidade, diferente da presente na Classe A, é idealizada, ou seja, seu baixo salário em dinheiro espécie não permite que esta adquira a materialidade. Dessa impossibilidade advém a idealização material: a idéia de ter assume um papel importante, o imaginário, o sonho de consumo. Igual as duas classes anteriormente tratadas, a Classe D, deseja, também, coisas que vão além das necessidades básicas do ser humano e que estejam dentro do padrão de ostentação da Classe A e nos planos da Classe C – atingidos pela publicidade e agentes do consumo.

Portanto, a princípio ficamos nesses termos:

A: imaterial – material
C: material – material
D: material - imaterial

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Pensar, pensar - por José Saramago

Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma.

Revista do Expresso, Portugal (entrevista), 11 de Outubro de 2008
Fonte: